Reserva do Cabaçal
 
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Fazenda, com 900 alqueires, vive em conflito há quase 20 anos
 
A Fazenda Itaguaíra, no município de Araputanga, localizada próxima ao município de Reserva do Cabaçal, nesta região Oeste do Estado, voltou a ser ocupada por mais de 100 famílias de Trabalhadores Rurais Sem Terra, na madruga deste sábado (10.02). A propriedade possui 900 alqueires e pertence ao fazendeiro Rudinei Velasco.

Os camponeses alegam que a área pertence a União porque seu proprietário ainda não obteve do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) a posse definitiva. Consta apenas uma matrícula de número 64 no Cartório de Registro de Imóveis de Araputanga.

A fazenda, que vive em conflito há quase 20 anos, havia sido alvo de uma ação de reintegração de posse determinada pela Justiça em agosto de 2017. Na época, conforme relatos de acampados, após mais de 15 anos no local, máquinas contratadas pelo fazendeiro destruíram lavouras, casas e alguns acabaram deixando para trás animais de criação, como bovinos, equinos, suínos e aves. Mas após 6 meses da desocupação, os acampados decidiram retornar à fazenda para reafirmar sua luta, garantindo permanência até que o governo federal a destine pelo menos uma parte para a reforma agrária.

“A nossa principal reivindicação foi sempre a de que a área seja vistoriada a fim de ser desapropriada ou que uma parte dela seja comprada pelo Incra”, disseram eles.
A criação de um assentamento no local, segundo os acampados, é passo essencial para resolver o problema das famílias, que demandam terra para viver, produzir e ter uma vida digna. Muitas até não tem uma casa para morar.

Denúncias e clima tenso

O clima é tenso no local e na cidade. O temor dos acampados, incluindo mulheres com filhos menores e de colo, ouvidos pela reportagem Rádio 14 de Maio FM de Mirassol D´Oeste, que esteve no local, é de uma reação violenta por parte de um grupo de segurança (pistoleiros) contratado pelo fazendeiro, que segundo eles, percorre a propriedade em uma caminhonete armados de revólveres e espingarda de grosso calibre. Alguns disseram que já foram ameaçados de morte. O proprietário da fazenda, Rudinei Velasco, foi procurado pela reportagem, mas não foi localizado.

Os acampados se dizem revoltados com o prefeito da cidade, Tarcísio Ferrari (PSD), que tem se posicionado contrário à luta deles, hipotecando apoio ao fazendeiro, de quem supostamente teria adquirido uma parte da propriedade em conflito. Procurado pela reportagem, o prefeito não foi encontrado.

Além do prefeito, o presidente da Câmara, Pedro Paulino de Souza (PMDB) também teria comprado um outro lote de terra. Procurando pela reportagem, o vereador confirmou a transação e a aquisição de 11 alqueires da área em conflito. Segundo o que se comenta ainda no município, é que cerca de dez comerciantes locais também teriam comprando outros lotes de terra.

A maioria dos acampados já está construindo barracas de lonas a margem da rodovia MT-248, que liga Reserva do Cabaçal a Araputanga. Boa parte disse que é da cidade de Reserva do Cabaçal, e que estão aguardando a chegada de mais pessoas.

Eles apelam às autoridades estaduais e federais para que atentem para a questão no sentido de por um fim neste conflito agrário que já se arrasta a quase duas décadas.


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