Um email da Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária de Mato Grosso, encaminhado à Associação dos Servidores da Penitenciária Central do Estado (ASPEC), solicitando a compra de materiais para reformar a própria secretaria, revela que o Estado se beneficiou com os recursos dos mercadinhos dentro do sistema penitenciário. Veja abaixo o email obtido com exclusividade pelo Gazeta Digital.
O email vem à tona em meio a pressão do governo do Estado em forçar o fechamento dos mercadinhos nos presídios. Contudo, o documento mostra que o Estado "terceirizou" a reforma para a Associação visando se beneficiar com os recursos da Associação.
Reportagem procurou a assessoria da secretaria de Estado de Justiça (Sejus), questionando o motivo da solicitação de ajuda, e por que o próprio Estado não pagou pelos materiais da reforma, já que a manutenção dos órgãos públicos é de responsabilidade do Poder Executivo. Em resposta, a secretaria esclareceu que:
"A Secretaria de Estado de Justiça esclarece que a reforma foi feita com recursos da Aspec, porém, antes das declarações do criminoso Sandro Louco se tornarem públicas, de que ele lucrava com os mercadinhos".
A justificativa no email é de que os materiais solicitados seriam essenciais à continuidade das obras em andamento na sede administrativa da secretaria. Entre os itens solicitados estão unidades de Cotovelo soldável, torneira simples, barra de cano, tubo de Cola para cano, parafusos, fitas isolante, tomadas, entre outros.
“Os materiais acima listados são indispensáveis para o progresso e a conclusão das melhorias nas instalações de nossa unidade, garantindo a segurança, funcionalidade e adequação dos espaços às necessidades operacionais desta Secretaria”, justifica o pedido.
A Aspec é responsável pela gerência dos mercadinhos, e é administrada por policiais penais, e já foi alvo de investigação pelo Ministério Público. Confira:

Em meio ao embate entre o governo Mauro Mendes (União) e o Poder Judiciário sobre os mercadinhos em presídios, após o governador vetar trecho da Lei estadual sobre o tema, alegando que os mercadinhos fortalecem financeiramente facções criminosas e ampliam o poder do crime organizado dentro e fora das penitenciárias, o presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), José Zuquim Nogueira, manteve as decisões que proibiram o fechamento dos "mercadinhos" em presídios de 3 municípios do interior do estado, contudo, restringiu os tipos de itens que podem ser comercializados.
Fonte: Pablo Rodrigo | Gazeta Digital

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