O deputado federal e candidato ao Senado por Mato Grosso José Medeiros (PL) admitiu, nesta quinta-feira (24), a autoria do áudio em que afirma que seu eleitorado “ora para alienígena” e “bebe detergente”, mas questionou se a gravação divulgada à imprensa foi editada. Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar classificou a declaração como uma “piada antiga” e afirmou que não pretende pedir desculpas pelas falas.
“Se você ficou chateado com o áudio editado que saiu por aí, é porque não me conhece. Você está pensando em não votar em mim por causa de piada sem graça tirada dos contextos e denúncias que não afetam em nada a minha honestidade e a minha honra, você está caindo justamente na cilada dos meus inimigos”, declarou.
O áudio integra uma sequência de mensagens trocadas entre Medeiros e o prefeito de Diamantino, Chico Mendes (União Brasil), irmão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e passou a circular nesta semana. As expressões usadas no áudio fazem referência a episódios que ganharam repercussão nas redes sociais entre grupos identificados com o bolsonarismo.
O deputado afirmou que sua fala foi apenas uma “piada antiga” e que a questão central, em sua avaliação, é saber se o áudio sofreu algum tipo de edição.
“A pergunta que é preciso ser feita não é se eu disse ou se eu não disse, eu disse e sou homem para reconhecer, porque essa piada é antiga e muita gente já ouviu. A pergunta que é preciso ser feita é se esse áudio foi editado e se eu cometi algum crime de corrupção, se desviei verba, se fui investigado em CPI ou tem alguma ligação com Lula ou a quadrilha do PT”, afirmou.
Horas depois, no vídeo divulgado nesta quinta-feira, Medeiros manteve o tom de deboche e passou a ironizar os estereótipos atribuídos aos bolsonaristas, novamente fazendo comparações com adversários políticos.
“Nós bolsonaristas somos rotulados de beber detergente e rezar para E.T., mas fazemos mais que isso. A gente também vai para Brasília a pé em vez de ir para Lisboa participar de Gilmar Palooza. A gente também come pão com leite moça, em vez de lagosta e whisky comprados com o dinheiro dos velhinhos do INSS”, disse.
A declaração também foi acompanhada de críticas aos adversários de Medeiros na disputa por duas vagas ao Senado por Mato Grosso.
“A gente também acampa na frente do quartel em vez de se hospedar em hotéis de luxo na Europa, pagos com o dinheiro do povo de Mato Grosso. Mas sabe o que nós eleitores do Bolsonaro não fazemos? A gente não vota em quem é filha do maior ficha suja do Brasil, condenado a 70 anos de prisão, nem quem está envolvido em escândalos de corrupção, e muito menos em quem se elegeu com os votos dos bolsonaristas e foi sentar no colo do Lula com o boné do MST”, afirmou.
Ao final do pronunciamento, Medeiros reafirmou que não pretende se retratar pelas declarações. Ele justificou a decisão dizendo que costuma fazer piadas e associou a recusa em pedir desculpas à postura que atribui ao eleitorado bolsonarista.
“Eu não vou nem pedir desculpa pelo que eu falei, porque se tem uma coisa que nós bolsonaristas também não fazemos, é arregar e usar a estratégia do quem me conhece sabe. Se você me conhece, sabe mesmo que eu faço piada o tempo todo. Você vai descobrir que não votar em alguém por causa de uma piada pra votar em um bandido, isso sim não é coisa de bolsonarista. E sobre a frase, faltou o mais importante. O detergente que a gente bebe é Ypê”, declarou.
Candidato do PL afirmou que declaração sobre "beber detergente" e "orar para alienígenas" foi uma piada tirada de contexto.
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