O ex-ministro da Agricultura e ex-deputado federal Neri Geller (Podemos) já recebeu R$ 500 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para “bancar” sua campanha a deputado federal por Mato Grosso nas eleições deste ano. O repasse foi realizado pela Direção Nacional do Podemos.
O aporte ocorre em meio à tentativa de Geller de retornar à Câmara dos Deputados, em uma trajetória política marcada por disputas eleitorais, investigações e episódios que provocaram desgaste à sua imagem pública.
Geller concorreu a deputado federal nas eleições de 2006 e 2010, sem conseguir se eleger. Em 2018, conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados pela coligação “A Força da União IV”, formada por PRB, PP, PTB, PT, PMN, Podemos, PROS e PR.
Ainda em 2018, o então deputado eleito foi alvo da Operação Capitu, desdobramento da Lava Jato, e chegou a ser preso pela Polícia Federal.
Cassação e disputa pelo Senado
Nas eleições de 2022, Geller teve o mandato de deputado federal cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em processo relacionado à arrecadação de recursos de sua campanha de 2018. Segundo o Ministério Público Eleitoral (MPE), teria ocorrido uma “triangulação” na movimentação de recursos durante a campanha.
Com a decisão, Geller ficou impedido de disputar as eleições daquele ano. Ele pretendia concorrer ao Senado por Mato Grosso, mas sua candidatura acabou sendo barrada pela Justiça Eleitoral.
Posteriormente, a situação jurídica de Geller foi revertida no TSE. Em 2023, após ter apoiado a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República, Geller foi nomeado secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura.
Exoneração após leilão de arroz
O certame foi anulado após o governo identificar problemas relacionados à capacidade técnica e financeira de algumas empresas vencedoras. O episódio provocou forte repercussão política e críticas ao processo de contratação.
A controvérsia ganhou ainda mais força porque um ex-assessor de Geller, que também mantinha sociedade empresarial com um de seus filhos, participou das negociações relacionadas ao leilão. O vínculo foi questionado por setores da oposição e por entidades ligadas aos produtores rurais, que levantaram suspeitas de possível favorecimento.
Agora, Geller tenta reconstruir sua trajetória política e retornar à Câmara dos Deputados. À Justiça Eleitoral, ele declarou possuir um patrimônio de R$ 9.174.334,90 em bens.
Geller tenta retornar à Câmara Federal em meio a uma trajetória marcada por polêmicas, incluindo a Operação Capitu, desdobramento da Lava Jato, e sua exoneração do governo Lula após o escândalo do leilão para a compra de 263 mil toneladas de arroz.
Veículos e recursos destinados pelo Governo Federal se tornam peças centrais da estratégia do candidato na tentativa de conquistar votos na região Oeste de Mato Grosso.
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