ARAPUTANGA

Produtora rural diz ter sido humilhada após gestão criar norma que a impede de participar do Encontro da Mulher Rural

"Eu me senti humilhada na frente da primeira-dama. Fiquei muito envergonhada na frente de todas as produtoras", lamentou.


Por Redação

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Imagem ilustrativa. (Foto: Banco de imagens freepik)

Uma produtora rural denunciou à imprensa e à Câmara Municipal de Araputanga a existência da Instrução Normativa nº 001/2026, elaborada pela comissão organizadora do 40º Encontro da Mulher Rural, que estabelece critérios para participação no evento e, segundo ela, exclui mulheres que atuam diariamente no campo, mas residem na área urbana.

 

De acordo com a denúncia, o prefeito Enilson Rios (União Brasil), por meio da Portaria nº 081/2026, nomeou a comissão organizadora do evento, presidida por Jaqueline Campos Dias. Posteriormente, a presidente editou a Instrução Normativa nº 001/2026, cujo artigo 3º, inciso I, impede a participação de mulheres que possuem propriedade rural, mas mantêm residência na cidade.

 

A medida provocou indignação entre produtoras que desenvolvem atividades rurais diariamente, embora durmam na zona urbana.

 

"Vou todos os dias para o sítio. Eu trabalho vendendo ovos caipiras, galinhas, e a minha rotina é diária no sítio", afirmou uma das produtoras prejudicadas.

 

"Já tem dois anos que sou impedida de participar, alegando que porque eu durmo na cidade e não durmo no sítio. A justificativa é essa.”, alegou a produtora.

 

“No ano passado eu tentei participar, fui até o local do evento e fui impedida. E este ano entregaram um documento especificando que eu não posso participar de maneira alguma.”

 

A produtora afirma que tentou buscar uma solução diretamente com a administração municipal, mas não obteve êxito.


“Eu tentei conversar com o prefeito e não consegui. Eu me senti muito humilhada, porque mulher rural, para mim, tem que ser uma pessoa que vive do sítio, e eu vivo do sítio. Lá no meu sítio tem casa, eu vivo das frutas que vendo na cidade, vivo de frangos, de ovos. Então, se isso não é ser mulher rural, o que é ser mulher rural?”


Segundo relatos de outras moradoras, o caso tem gerado repercussão no município, já que mulheres que não exercem atividades rurais teriam participado da última edição do encontro, enquanto produtoras efetivamente ligadas ao campo foram impedidas de participar.

 

"Isso é uma injustiça com todas as mulheres rurais que foram barradas", destacou a produtora.

 

Na segunda-feira (13), o presidente da Câmara Municipal, vereador Paulo Abrão (PSB), informou que ainda não tinha conhecimento da Instrução Normativa. Segundo ele, o Legislativo deverá buscar esclarecimentos junto ao Poder Executivo e tentar uma alternativa para viabilizar a participação da produtora no evento.


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